O filme de Manoel de Oliveira está de voltas às salas nacionais para assinalar dez anos da morte do cieneasta.

O filme “Vale Abraão” (1993), de Manoel de Oliveira, baseado num romance de Agustina Bessa-Luís e inspirado em “Madame Bovary”, de Flaubert, volta aos cinemas portugueses esta quarta-feira, 2 de abril, quando passam dez anos da morte do cineasta.

De acordo com a Nitrato Filmes, “Vale Abraão” regressa às salas de cinema na versão integral e restaurada pela Cinemateca Portuguesa, com sessões no Porto, Coimbra e em Lisboa.

Estão previstas sessões especiais amanhã, quinta-feira, no Cinema Trindade (Porto), na Casa do Cinema de Coimbra e no cinema Nimas (Lisboa), precisamente no dia em que se cumpre uma década após a morte de Manoel de Oliveira, aos 106 anos.

“Vale Abraão” é “um filme ‘sensualista’, dominado pelas cores, os perfumes, as atmosferas, e pela presença majestosa do rio Douro. Um filme central na obra de Oliveira, com uma ‘mise en scène’ majestosa e magistral”, refere a Cinemateca Portuguesa na página oficial.

O filme, baseado em “Vale Abraão”, de Agustina Bessa-Luís, produzido por Paulo Branco, passa-se no vale do Douro, onde Ema (interpretada por Leonor Silveira) “é educada numa atmosfera de grande sensibilidade poética”.

“Torna-se numa mulher bela e sensual com um irresistível gosto pelas ficções românticas, que acaba por nunca conseguir encontrar plena satisfação junto dos homens, desde logo casando com um médico que nunca amou. Na sequência de uma intensa vida social, Ema vai envolver-se com três homens sempre numa constante busca de paixões, luxo e desafios”, refere a sinopse partilhada pela Nitrato Filmes.

Além de Leonor Silveira, o filme conta com interpretações de Diogo Dória, Luís Miguel Cintra, Isabel Ruth, António Reis, João Perry e Glória de Matos, entre outros.

“Vale Abraão” foi exibido em maio de 1993 na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cinema de Cannes, em França, e voltou a este festival trinta anos depois, em 2023, numa homenagem a Oliveira, com a atriz Leonor Silveira a surgir no cartaz oficial daquele programa paralelo.

Manoel de Oliveira, que nasceu no Porto em 1908 e viveu mais de um século acompanhando a própria história do cinema, chegou a ser o mais velho realizador do mundo em atividade.

“Douro, Faina Fluvial”, uma curta-metragem documental sobre a vida nas margens do rio Douro, foi o primeiro filme que rodou, então com 23 anos, com uma câmara oferecida pelo pai.

O último filme, “O velho do Restelo” (2014), já foi filmado no jardim próximo de casa, no Porto, com quatro atores de eleição: Luís Miguel Cintra, Ricardo Trepa, Diogo Dória e Mário Barroso.

Após a morte de Manoel de Oliveira foi exibido o filme “Visita ou memórias e confissões”, que o cineasta rodou em 1982, para ser mostrado publicamente só depois de morrer.

Fonte: SAPO Mag

Liliana Teixeira Lopes