O ator Gene Hackman foi encontrado morto, com a mulher e o cão, em sua casa. Ainda não foi determina a causa da sua morte.

Morreu Gene Hackman, tinha 95 anos. O ator e a sua esposa, de 63 anos, e o cão do casal foram encontrados mortos na sua casa em Santa Fé, no Novo México, informou a polícia, que não acredita que tenha havido crime, mas a causa exata ainda não foi determinada.

Alguém dizia, e eu concordo, que “enquanto ator, o que transparecia era que olhava para cada personagem com uma profunda honestidade para encontrar e transmitir a sua verdadeira essência, sem pensar se ela iria parecer simpática ou antipática” ao público.

Por isso, foi sempre credível como polícia implacável, um sádico xerife, um treinador de basquetebol, o comandante de um submarino nuclear ou até um delirante Lex Luthor nos filmes de “Super-Homem”: ele ajustava-se com uma naturalidade impressionante a todas as peles e era instantaneamente credível, como se não estivesse a representar.


Nascido em 1930, Eugene Allen Hackman, para fugir a uma existência perdida no ‘Midwest’ americano, alistou-se nos fuzileiros aos 16 anos. Depois estudou jornalismo e produção televisiva, teve vários empregos, até que, finalmente, procurou satisfazer as ambições artísticas em Nova Iorque. Aí, partilhou com Dustin Hoffman não só o apartamento, mas a distinção de serem votados pela turma como os mais improváveis de conseguirem ter sucesso.

Estreou-se no cinema em “Lilith e o Seu Destino” (1964), onde conheceu brevemente o protagonista, Warren Beatty, que, mais tarde, o convidou para um papel secundário noutro projeto, um filme que marcou um antes e depois do cinema norte-americano: “Bonnie e Clyde” (1967).

Como irmão de Clyde, Hackman revelou uma energia contagiante e conseguiu a primeira nomeação para o Óscar. Aos 37 anos, a carreira estava lançada: surgiu ao lado de Burt Lancaster em “Os Paraquedistas” (1968), de Robert Redford em “Os Corredores da Montanha” (1969), antes de se tornar um astronauta ao lado de Richard Crenna e James Franciscus em “Perdidos no Espaço” (1969).


Encarnou Popeye Doyle, o detetive da polícia nova-iorquina que desmantelava uma quadrilha de traficantes, tornando-se num dos grandes anti-heróis dos anos 1970, em “Os Incorruptíveis Contra a Droga”. Foi com esse papel que Hackman ganhou o Óscar de Melhor Ator, definiu uma ‘persona’ e começou a construir essa carreira feita de homens normais ‘à antiga’ a quem nada era dado de mão beijada e só triunfavam com muito trabalho e espírito de sacrifício.

A seguir ao Óscar, rodou filme atrás de filme, como “Uma Ponte Longe Demais” (1977), “Atentado ao Presidente” (1977), a sequela “Os Incorruptíveis Contra a Droga 2” (1975), “O Espantalho”, “O Vigilante” (1974), às ordens de Francis Ford Coppola, que descreveu como o seu filme preferido, e uns célebres cinco minutos como o eremita cego em “Frankenstein Júnior” (1974).

Fez filmes como “Imperdoável”, “Mississipi em Chamas”, “Maré Vermelha” ou “Heist” e diz-se que nunca foi apanhado a “representar”.


Com dois Óscares, dois Bafta, quatro Globos de Ouro e um Screen Actors Guild Award, e retirado do cinema desde 2004 e sem planos para regressar, circula a história de que Gene Hackman terá recebido um dia a visita de um velho amigo com a intenção de ter uma conversa para o convencer a voltar. Mas, dessa vez, Clint Eastwood não conseguiu o que queria.

Fonte: Lusa / SAPO Mag

Liliana Teixeira Lopes