Este ano, cabe ao encenador grego que questiona se esta arte conseguirá responder aos desafios sociais e ambientais.
A mensagem do Dia Mundial do Teatro é este ano assinada pelo encenador grego Theodoros Terzopoulos, que reflete sobre o papel do teatro no mundo atual, questionando se esta arte conseguirá responder aos desafios sociais e ambientais.
A mensagem do Dia Mundial do Teatro 2025 foi divulgada no fim de semana e traduzida para português pelo Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, em colaboração com o Instituto Internacional de Teatro (ITI) da UNESCO.
Iniciado em 1961 por aquele instituto, o Dia Mundial do Teatro é comemorado anualmente no dia 27 de março, tendo a primeira mensagem sido escrita por Jean Cocteau em 1962.
A cada ano, uma figura de relevo internacional do panorama teatral é convidada a compartilhar uma reflexão partindo do mote “Uma Cultura de Paz”, que é depois traduzida para mais de 50 idiomas e lida para dezenas de milhares de espetadores antes de apresentações em teatros de todo o mundo, assim como publicada em centenas de jornais e mais de 100 estações de rádio e televisão.

O encenador grego questiona o futuro das artes do espetáculo perante os desafios atuais e reflete sobre a forma como o teatro pode ser um espaço de resistência contra a alienação digital e a manipulação política, além de um laboratório de coexistência entre diferenças culturais.
“Poderá o teatro ouvir o pedido de SOS que os nossos tempos estão a enviar, num mundo de cidadãos empobrecidos, fechados em células de realidade virtual, entrincheirados na sua privacidade sufocante?”; “Poderá o teatro tornar-se parte ativa do ecossistema?”; “Podem os holofotes do teatro lançar luz sobre o trauma social, e parar de se iluminar a si mesmo de forma enganadora?”, questiona Theodoros Terzopoulos.
Por outro lado, o encenador alerta que “o teatro acompanha o impacto humano no planeta há muitos anos, mas está com dificuldades em lidar com este problema”, questionando se “estará o teatro preocupado com a condição humana tal como está a ser moldada no século XXI, em que o cidadão é manipulado por interesses políticos e económicos, redes de comunicação social e empresas fazedoras de opinião?”.

“Onde as redes sociais, por mais que a facilitem, são o grande álibi da comunicação, porque proporcionam a necessária distância segura do Outro? Uma sensação generalizada de medo do Outro, do diferente, do Estranho, domina os nossos pensamentos e ações. Pode o teatro funcionar como laboratório para a coexistência de diferenças, sem levar em conta o trauma sangrento?”, acrescenta.
Citando o dramaturgo e escritor alemão Heiner Muller, a propósito do poder do Mito, o encenador aborda ainda a necessidade de novas narrativas que promovam memória e responsabilidade moral e política.
“Precisamos de novas formas narrativas destinadas a cultivar a memória e a moldar uma nova responsabilidade moral e política que emerja da ditadura multiforme da atual Idade Média”, salienta.
Fonte: Instituto Internacional de Teatro (ITI) da UNESCO / Teatro do Noroeste
Liliana Teixeira Lopes